Engenharia de Produção

Administração de Estoques

A importância da gestão de estoques nas indústrias

Todas as organizações devem se preocupar com o controle de estoques, visto que eles afetam de maneira clara os resultados das empresas.

A matéria-prima pode representar de 40 a 60% dos custos do produto acabado.

O controle de estoques deve o ser foco das organizações, pois eles afetam de forma decisiva em seus resultados.

Lógica e racionalidade devem ser usadas visando à obtenção de sucesso nas ações de resolução de situações referentes aos estoques.

Altos estoques pressionam o capital de giro para estoque e geram altos custos de manutenção de estoques (calculado entre 18 e 25% do estoque médio).

Baixos estoques podem gerar, se não forem adequadamente administrados, custos difíceis de serem contabilizados em face de atrasos de entrega, replanejamento do processo produtivo, insatisfação dos clientes e, principalmente, a perda de clientes.

Para Pozo (2008), administrar estoques é controlar as disponibilidades e as necessidades totais do proces­so produtivo, de matéria-prima, materiais auxiliares, semiacabados e produtos acabados.

A missão do administrador de estoques é manter o menor nível de estoque sem comprometer a produção ou as vendas, obtendo redução do capital de giro de estoques e dos custos de manutenção de estoques.

Previsão de Demanda

Todo início de estudo de estoque deve estar pautado na previsão de consumo ou previsão da demanda do produto.

A previsão da demanda estabelece as estimativas futuras dos produtos acabados comercializados pela empresa.

Define, portanto, quais produtos, quanto desses produtos e quando serão comprados pelos clientes. É o ponto de partida de todo Planejamento de Estoques.

Deve ser considerado sempre como a hipótese mais provável dos resultados.

Para Dias (2010), da previsão da demanda estabelece quais produtos, quanto desses produtos e quando serão comprados pelos clientes no próximo período.

De acordo com Pozo (2008), cabe ao administrador de estoque prever a demanda e informar aos fornecedores para que o processo produtivo não sofra descontinuidade e que as necessidades dos clientes sejam atendidas.

Podemos perceber que a previsão da demanda é uma tarefa de suma importância para a adequada gestão de estoques e, em função disso, todos os métodos e esforços devem ser alocados na sua decisão.

Apesar de todos os cuidados e métodos usados, os números apurados como demanda para o próximo período estão sujeitos a variações, pois para a sua previsão são consideradas demandas do passado, além de outros fatores (como gráficos de tendências e opiniões de profissionais de conhecimentos).

Desta forma, por mais acuradas que sejam as previ­sões, devido à volatilidade da demanda, concorrência e políticas econômicas podem resultar em estoques mais altos ou mais baixos do que o necessário.

No processo de previsão de demanda, devemos utilizar informações quantitativas e qualitativas (DIAS, 2010).

No quadro 1, relacionamos informações quantitativas e qualitativas usadas na previsão da demanda.

Para Dias (2010), as técnicas de previsão da deman­da podem ser classificadas em três grupos:

  1. Projeção: considera que as vendas evoluirão no tempo da mesma forma que no passado. De natureza essencialmente quantitativa.
  1. Explicação: busca-se explicar as vendas do pas­sado por meio de técnicas de regressão e correlação.
  1. Predileção: usa o conhecimento de funcionários experientes e conhecedores de fatores influentes nas vendas e no mercado para estabelecer a evolução das vendas futuras.

Além de informações quantitativas e qualitativas e técnicas de previsão da demanda, no processo de decisão a respeito do que a empresa espera que os clientes comprem de seus produtos nos próximos períodos usa-se também gráficos, a seguir:

Gráfico de consumo constante: o volume permane­ce constante, sem grandes variações no decorrer do tempo, não sofrendo influências ambientais e mercadológicas. Exemplo: todas as empresas que mantêm vendas estáveis.

Evolução de consumo e tendência (ECT): o volume de consumo aumenta ou diminui drasticamente no decorrer do período ou do ano, sendo influenciado por diversos fatores, como culturais, econômicos, ambientais etc.

Evolução de consumo Sazonal (ECS): o volume de consumo passa por oscilações regulares no decorrer de certos períodos, sendo influenciado por diversos fatores culturais e ambientais, gerando desvios aci­ma de 30%.

Para concluir o processo para a decisão sobre a pre­cisão da demanda, ou seja, das quantidades que as empresas esperam que os clientes comprem, além das informações quantitativas e qualitativas, as técnicas de previsão da demanda e os gráficos apresentados a seguir, vamos conhecer os modelos matemáticos de apoio à decisão.

As informações quantitativas e qualitativas, os grá­ficos por si sós, não são suficientes para a decisão sobre a previsão da demanda.

É necessária a utili­zação, em conjunto, de modelos matemáticos que nos levará a uma melhor precisão dos dados dese­jados. São eles: Método de Último Período (MUP), Método da Média Aritmética (MMA), Método da Média Ponderada (MMP) e Método da Média com Suavização Exponencial (MMSE).

Método do Último Período (MUP)

Trata-se do método mais simples. Usado em peque­nas empresas e por gestores sem maior conhecimen­to técnico. Neste método utiliza-se como previsão de demanda para o próximo período o valor real do período anterior.

Exemplo: a Empresa Componentes Eletrônicos S.A. teve neste ano o seguinte volume de vendas para o seu produto “Placa de Vídeo LXE”: janeiro, 2.800; fevereiro, 2.740; março, 2.900; abril, 3.000; maio, 2.750; e junho, 2.850.

Calcule a previsão de demanda para julho:

Pjulho (MUP) = O último período foi junho, 2.850 unidades

A previsão de demanda para julho é de 2.850 uni­dades, ou seja, igual à demanda de junho, o último período.

Método da Média Aritmética (MMA)

Neste método, a previsão da demanda para o próxi­mo período é obtida por meio de cálculo da média aritmética das demandas (consumo) dos períodos anteriores.

Exemplo: a Empresa Componentes Eletrônicos S.A. teve, neste ano, o seguinte volume de vendas para o seu produto “Placa de Vídeo LXE”: janeiro, 2.800; fevereiro, 2.740; março, 2.900; abril, 3.000; maio, 2.750; e junho, 2.850.

Calcule a previsão de demanda para julho:

Ppp (MMA) = (2.800+2.740+2.900+3.000+2.750+2.850) / 6 = 2.840 unidades

A previsão de demanda é obtida por meio de ponderação dada a cada período, de acordo com a sensibilidade do administrador obedecendo algu­mas regras:

  1. O período mais próximo recebe peso maior de ponderação, entre 40% e 60%. Para os outros haverá redução gradativa.
  2. O período mais antigo recebe peso de menor pon­deração e deve ser igual a 5%.
  1. A soma das ponderações deverá ser sempre 100%.

Exemplo: a Empresa Componentes Eletrônicos S.A. teve, neste ano, o seguinte volume de vendas para o seu produto “Placa de Vídeo LXE”: janeiro, 2800; fevereiro, 2.740; março, 2.900; abril, 3.000; maio, 2.750; e junho, 2.850.

Calcule a previsão de demanda para julho:

Para o exemplo acima, considere as seguintes pon­derações: janeiro, 5%; fevereiro, 10%; março, 10%; abril, 15%; maio, 20%; e junho, 40%.

Solução: usando a fórmula

Ppp julho (MMP) = (2.800 x 0,05) + (2.740 x 0,10) + (2.900 x 0,10) + (3.000 x 0,15) + (2.750 x 0,20) + (2.850 x 0,40) =

Ppp julho (MMP) = (140 + 274 + 290 + 450 + 550 + 1.140 = 2.844 unidades).

Resposta: a previsão de demanda para julho é de 2.844 unidades.

Método da Média com Suavização Exponencial (MMSE):

Neste método, a previsão é obtida de acordo com a demanda e a previsão do último período em que o fator de ponderação utilizado é denominado cons­tante de suavização exponencial (@ que pode variar de 0,10 a 0,30).

Exemplo: a Empresa Componentes Eletrônicos S.A. teve, neste ano, o seguinte volume de vendas para o seu produto “Placa de Vídeo LXE”: janeiro, 2.800; fe­vereiro, 2.740; março, 2.900; abril, 3.000; maio, 2.750; e junho, 2.850.Sabendo-se que a previsão de junho foi de 3000 unidades, calcule a previsão de demanda para julho com uma constante de suavização expo­nencial de 0,10.

Solução:

Pppjulho (MMSE) = [(2.850 x 0,10) + (1 – 0,10) x 3.000] =

Pppjulho (MMSE) = [(285) + (0,90) x 3.000] =

Pppjulho (MMSE) = [285 + 2700] =

Pppjulho (MMSE) = 2.985

Resposta = a previsão da demanda para agosto será de 2.985 unidades.

Ponto do Pedido

Ocorre quando o estoque atinge uma quantidade, in­dicando que é o momento de reabastecimento (a par­tir da emissão de uma nova solicitação de compras).

Essa quantidade (chamada de ponto de pedido) é calculada com base no consumo, tempo de reposi­ção e estoque de segurança do item.

Ponto de Pedido é quando a soma entre o Saldo em Estoque, Pedidos de Compras e Solicitações de Compras em Aberto for igual ou inferior à Quantidade Calculada (Ponto de Pedido).

Os materiais são comprados e vão sendo consu­midos para produzir ou para revenda. A quantidade em estoque vai caindo, até chegar a hora de solicitar nova compra (reabastecer).

De acordo com Pozo (2008), Ponto de Pedido é a quantidade de peças que há em estoque e que garante que o processo produtivo não sofra problema de continuidade, enquanto aguardamos a chegada do lote de compras.

Fórmula para o cálculo do Ponto de Pedido: PP = (C x TR) + ES, em que:

C = Consumo do material no período (dia, mês etc.), também conhecido como demanda do produto.

TR = Tempo de Reposição do Material, conhecido também como lead time, trata-se do período que corresponde desde a solicitação de compras até a chegada/liberação do material para uso.

ES = Estoque de Segurança do material, reserva para cobrir atrasos do fornecedor, aumento de con­sumo, rejeição do lote e erro de pedido.

Para efeito de cálculo do ponto de pedido, geral­mente, se usa o cálculo do estoque de segurança baseado no método de grau e risco (MGR), em que o administrador, por meio da sua sensibilidade, estabelece um grau de risco em percentual sobre o consumo. A fórmula do estoque segurança.ES = C x K, em que:

ES = estoque de segurança;

C = Consumo (geralmente mensal);

K = Coeficiente de grau e risco definido pelo admi­nistrador de estoque.

Exemplo 1: Ponto de Pedido

Determinada peça tem consumo mensal de 3.000 unidades, e sabemos que seu tempo de reposição é de 45 dias.Então, qual é o seu ponto de Pedido (PP), uma vez que o seu estoque de segurança é de 600 unidades?

Dados:

C (consumo) = 3.000/mês

TR (tempo de reposição) = 45 dias

ES (Estoque de Segurança) = 600 unidades

Neste exemplo, podemos verificar que a unidade de medida do consumo está em mês e o tempo de repo­sição em dias. Sendo assim, antes de usarmos a fór­mula para calcular, devemos efetuar a transformação.

Transformando o consumo mensal em consumo diário:

Consumo mensal dado no problema: 3.000 / 30 dias = 100 unidades por dia.

Tempo de reposição dado = 45 dias

Estoque de segurança = 600 unidades

Agora é possível achar o ponto de pedido, pois o consumo e o tempo de reposição estão no mesmo padrão de medida.

Então:

PP = (100 x 45) + 600 =

PP = 4.500 + 600 = 5.100 unidades

De acordo com a teoria do ponto de pedido, quando o estoque físico (+ a receber) for igual ou menor que 5.100 unidades, é hora emitir a solicitação de compras.

Giro de Estoque

De acordo com Dias (2010), “giro de estoque ou ro­tatividade é uma relação existente entre o consumo anual e o estoque médio do produto”.

Giro de estoque (GE) = Consumo anual / Estoque Médio

Giro de estoques é a quantidade de vezes, em deter­minado período (geralmente anual), que o estoque da empresa mantém e é consumido e vendido (ou renovado).

A avaliação da gestão de estoques por meio do giro é muito útil e rápida, facilitando a análise da situação operacional da empresa, e é um padrão mundial de análise e comparação.

Quanto maior for o número de giros, melhor será a administração logística da empresa, menores serão os seus custos e maior será a sua competitividade.

Exemplo: uma empresa teve vendas anuais do seu principal produto em 5500 unidades. O estoque mé­dio desse produto no período foi de 1250 unidades.

Calcule o índice de giro do estoque.

GE = 5.500 / 1.250 = 4,4 vezes ao ano

Resposta: O estoque girou 4,4 vezes ao ano ou a sua rotatividade foi de 4,4 vezes ao ano.

Para Pozo (2008), conhecendo o giro de estoques, é pos­sível determinar também o período que esse estoque suporta, ou seja, o estoque serve para atender a uma demanda de “tantos dias, semanas ou meses”.

Para efetuarmos o cálculo em meses, dividimos 12 meses (total de meses do ano) pelo valor do giro encontrado e teremos o tempo em meses que o estoque suporta da atual demanda. Se dividirmos 52 semanas (total de semanas do ano) pelo giro de estoque encontrado, teremos o tempo em semanas que o estoque suporta a demanda.

Utilizando o exemplo acima de cálculo do giro de estoque, iremos calcular os valores de tempo que esse estoque suportaria:

Giro de estoque do exemplo: 4,4.

Tempo em meses T(m) = 12 / 4,4.

T(m) = 2,72 meses, ou seja, aproximadamente 2 meses e 22 dias. (Transformar em dias: multiplicar 0,72 por 30).

  • Tempo em semanas T(s) = 52 / 4,4
  • T(s) = 11,81 semanas, ou seja, aproximada­mente 11 semanas e 6 dias. (transformar em dias: multiplicar 0,81 por 7).
  • Tempo em dias T(d) = 365 / 4,4 = 82,9 = 83 dias.
  • Tempo em dias úteis = 240 / 4,4 = 54,5 = 55 dias.

Conclusão

Nesse artigo, vimos que a administração de estoque é um tema muito re­levante para a Logística.

Observamos que as empresas devem se preocupar com a gestão de estoque, uma vez que:

  • eles afetam nos seus resultados;
  • altos estoques pressionam o capital de giro para estoque, e baixos estoques podem gerar atrasos no processo produtivo;
  • atrasos no prazo de entrega;
  • até a perda de clientes.

A missão do administrador de estoques é manter o menor nível de estoque sem comprometer a produção ou as vendas, obtendo redução do capital de giro de estoques e dos custos de manutenção de estoques.

A previsão de demanda foi outro tema muito impor­tante discutido neste artigo, pois ela estabelece as estimativas futuras dos produtos acabados co­mercializados pela empresa.

Define, portanto, quais produtos, quanto desses produtos e quando serão comprados pelos clientes. É o ponto de partida de todo Planejamento de Estoques. Deve ser conside­rado sempre como a hipótese mais provável dos resultados.

Vimos, também, que o ponto de pedido é uma ferramenta vital para uma gestão de estoques eficaz, ocorrendo quando o estoque atingir uma certa quantidade (cal­culada), indicando que é o momento de reabasteci­mento (a partir da emissão de uma nova solicitação de compras).

Concluímos com o tema giro de estoque, que pode ser vista como a quantidade de vezes, em determinado período (geralmente anual), que o estoque que a empresa mantém é consumido, vendido (ou renovado), sendo um indicador muito útil e rápido, facilitando a análise da situação operacional da empresa, sendo visto como um padrão mundial de análise e comparação.


Esse artigo foi uma síntese da disciplina Fundamentos e Processos Logísticos da Faculdade das Américas, FAM, do curso de Tecnologia em Logística e, também, parte do relatório final do projeto “PREVISÃO NA DEMANDA DE INSUMOS PARA PRODUÇÃO EM UMA INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA, UTILIZANDO UM APP: “FORECAST FOR FOOD” apresentado como Projeto Integrador da Universidade Virtual do Estado de São Paulo, UNIVESP, no curso de Engenharia de Produção.

Referências Bibliográficas

BARRANT, André Alexandre; OLIVEIRA, Bruna Santana de; BARBOSA, Dafne de Jesus; TORRES, Gilson do Nascimento; SILVA, Junior César Bezerra; SILVA, Silvestre Gomes Da. Previsão na demanda de insumos para produção em uma indústria alimentícia, utilizando um App: “Forecast For Food”. 21f. Relatório Técnico-Científico (Bacharelado em Engenharia de Produção) – Universidade Virtual do Estado de São Paulo. Tutor: Natália Pimenta e Silva

POZO, H. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística. 7.ed. São Paulo: Editora Atlas, 2008.

DIAS, M. A. P. Administração de materiais: uma abor­dagem logística. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

 

 

 

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Dafne Barbosa

Estudante de Engenharia de Produção pela UNIVESP e Gestão de Logística pela FAM, possui experiência de 21 anos em ambiente fabril, passando por setores de Manutenção e Utilidades e atualmente é Supervisor de Produção em uma indústria do ramo alimentício em Guarulhos/SP. Entusiasta de temas técnicos relacionados a eficiência e excelência operacional, planejamento de produção e planejamento de demanda, possui também formação em coaching, onde atua com análise de perfil comportamental, desenvolvimento de líderes, gestão de carreira e desenvolvimento de soft skills.

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