Tecnologia e Inovação

Brasileiros conquistam prêmio inédito em Olimpíada de Tecnologia

International Create Challenge ICC'2017

Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2017/09/brasileiros-ganham-premio-inedito-na-olimpiada-internacional-de-tecnologia.html

No último dia 19 de setembro, dois brasileiros fizeram história ao ganharem a Olimpíada Internacional de Tecnologia e Inovação, e esta conquista se torna ainda mais especial já que é a primeira vez que o Brasil recebe este prêmio.

Os ganhadores são Fábien Giovanni de Oliveira, de 22 anos, estudante do 4° ano de Engenharia de Controle e Automação da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), e Renato Rodrigues, de 27 anos, mestrando em Estratégia e Inovação em Engenharia de Produção na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Neste post, vamos contar um pouco da trajetória de um dos vencedores, o Fábien.

Reprodução: Arquivo Fábien Giovanni de Oliveira

Trajetória de Fábien:

Fábien Giovanni de Oliveira nasceu no dia 31 de Agosto de 1995 no munícipio de Ouro Fino – Minas Gerais. Desde o ensino fundamental, Fábien já demonstrava sua grande aptidão para o conhecimento, se diferenciando claramente dos seus colegas de classe.

Durante todo o ensino médio, Fábien continuou tendo seus bons resultados no colégio, porém agora ele queria mais, e então ele começou a ter contato com o empreendedorismo. Ao final do último ano escolar, Fábien decidiu fazer Engenharia, cuja decisão já havia sido tomada desde o ensino fundamental. Foi então, que Fábien foi aprovado no curso de Engenharia de Controle e Automação na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI).

No seu primeiro ano na universidade, em 2014, Fábien já começou a desenvolver seus projetos no Centro de Empreendedorismo da Universidade, onde viria a ter várias ideias com possíveis aplicabilidades. No início de 2015, Fábien fundou, com alguns amigos da sua universidade, sua primeira empresa, chamada Oriens Energia, “uma startup que trabalha com projetos, monitoramento e instalação de sistemas de eficiência energética e geração solar fotovoltaica, otimizando o consumo de energia e levando energia renovável para todos”. No mesmo ano, Fábien foi campeão do Startup Weekend Maker UNIFEI 2015 com a Oriens Energia, considerado o primeiro startup maker da América Latina.

Em 2015, Fábien se tornou Pesquisador Tecnológico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Neste mesmo ano, Fábien também se tornou capitão de mecânica da Robok, Equipe de Robótica Autônoma da UNIFEI, onde desenvolve robôs autônomos, ou seja, robôs que se movimentam através da comunicação a rádio com um computador, sem precisar de um controle remoto ou intervenção humana, por meio de um software criado pela equipe para realizar tal operação.

Paralelamente as suas atividades e compromissos universitários, Fábien participava de inúmeras competições de Tecnologia pelo Brasil. Em 2016, foi um dos 50 selecionados entre 2.000 condidatos para participar do Hackathon Globo, organizado pela TV Globo que acontece dentro da casa do Big Brother Brasil (BBB), considerado, por muitos, a competição de maior nível tecnológico do Brasil. No Hackathon Globo 2016, Fábien e sua equipe criaram um projeto sobre Gifs. “A ideia foi de implementar o GINFO, um sintetizador de manchetes e notícias em GIFs. Em que foi feito um software baseado em um banco de dados, no qual bastasse o usuário do software entrar com uma URL de uma notícia e o software automaticamente gerava um Gif daquela notícia”. No final da competição, a equipe de Fábien foi anunciada como vencedora do Hackathon Globo 2016. (http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2016/04/grupo-3-vence-hackathon-globo-2016-com-projeto-de-gifs-o-ginfo.html)

Essa conquista abriu várias “portas” para que Fábien pudesse ser selecionado para diversas outras competições de tecnologia e pudesse ser premiado em várias dessas competições. Diante de todas essas conquistas, Fábien queria ir ainda mais longe, e depois de muita dedicação e esforço, conseguiu alcançar seus objetivos. Recentemente, Fábien foi selecionado para para participar da Olimpíada Internacional de Tecnologia e Inovação, International Create Challenge ICC’2017 (http://www.createchallenge.org), em Martigny, na Suíça. Este ano foram selecionados 7 países, sendo um deles o Brasil, onde Fábien foi selecionado para representar o Brasil e a América Latina nesta Olimpíada. A competição aconteceu do dia 30 de Agosto ao dia 19 de Setembro em Martigny, na Suíça. Durante a Olimpíada, Fábien apresentou um projeto tecnológico de mobilidade urbana, chamado Milênio Bus, composto por um hardware e um aplicativo de celular que interligado ao ônibus permite o passageiro realizar o pagamento da passagem de forma digital, além de outras funções, como saber se o ônibus que irá utilizar está cheio ou não.

A Olimpíada teve duração de 3 semanas, com a participação de 7 projetos, sendo 5 projetos da Europa (Suíça, Itália, Ucrânia, Índia, Espanha), 1 do projeto do Brasil e 1 projeto da Coreia do Sul.

O resultado dos vencedores da Olimpíada foi anunciado no dia 19 de Setembro. Depois de 3 semanas de muita dedicação e esforço, Fábien se consagrou campeão mundial da Olimpíada Internacional de Tecnologia e Inovação na Suíça.

Sobre o projeto campeão:

“O projeto Milênio Bus surge como uma maneira de integrar a tecnologia de IoT (Internet of Things) no setor de mobilidade urbana nas cidades. O projeto nasceu em Março de 2017 em um evento de tecnologia (Hackathon) para melhorar a Mobilidade Urbana nas cidades, organizado pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos do Estado de São Paulo). Sendo assim, o projeto apresenta um hardware e um aplicativo de celular que integrados em um veículo de transporte público tem funcionalidades que facilitam o dia a dia dos usuários.

O projeto integra a tecnologia IoT no transporte público juntamente com um aplicativo, assim o objetivo é trabalhar com pagamentos digitais, informações ao passageiro e geração de dados com Big Date, onde será usado tecnologias computacionais para gerar os dados na nuvem.”

Bate-papo com Fábien:

Quando surgiu seu interesse pelo mundo tecnológico?

Durante todo o ensino médio, eu já demonstrava grande interesse pela tecnologia, onde continuei tendo seus bons resultados no colégio, porém agora eu queria mais, e então eu comecei a ter contato com o empreendedorismo. Embora fosse um conceito novo e que estava chegando no Brasil, eu busquei estudar muito sobre o que é empreender, e tinha varias ideias de aplicar esse empreendorismo em um projeto de engenharia tecnológica, que era aquilo que eu mais gostava.

Você teve algum incentivador nesta área?

Eu me considero, às vezes, um pouco autodidata, então sempre me instrui por esforço próprio, sem ter um incentivador ou mestre para me ajudar, até porque, na minha família não existe nenhuma pessoa da área de tecnologia no qual me mostrasse as maravilhas dessa área. Portanto, tudo que aprendi até hoje foi por buscar conhecimentos sozinho, seja em sites, blogs, livros, entre outros.

Estudar engenharia, creio eu, já estava nos seus planos então?

Sim, desde muito cedo eu me já me apaixonei por engenharia e essa decisão de estudar engenharia já havia sido tomada desde o ensino fundamental. Acredito que esse foi um grande diferencial para minha vida, que me fez alcançar  várias conquistas, o quanto antes você consegue descobrir aquilo que você ama fazer, mais sucesso você obterá em sua carreira. 

Como você conheceu Renato Rodrigues, seu parceiro de projeto?

Conheci Renato Rodrigues em Dezembro de 2016, em um outro Hackathon que participei em Campinas – SP. Na ocasião, eu fui campeão deste Hackathon. A partir desse evento, eu percebi um grande potencial em Renato e ele também percebeu o mesmo de mim, e foi então, que resolvemos formar uma equipe para participar do Hackathon da EMTU, onde nasceu o Milênio Bus.

Quais foram os outros projetos vencedores e de quais países eles são?

Foram 3 projetos vencedores, o meu projeto Milênio Bus, o projeto Robobay, da Ucrânia, e o projeto Forensic Voice Recognition System, da Índia.

Vocês colocarão em prática está star-up?

No momento ainda não somos uma startup legalizada, mas estamos realizando testes finais na EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos do Estado de São Paulo), e pretendemos colocar nosso produto no mercado até o final do ano ou início do ano que vem.

O que você trouxe de experiência ao participar de uma Olimpíada desta grandeza?

Eu aprendi muito com essa Olimpíada, tivemos muitas aulas e ensinamentos durante a competição que foram essenciais para o aprimoramento do nosso projeto. Tivemos aulas que variavam desde Business Model até Venture Capital com pessoas altamente qualificadas, como doutores e PhDs na área. Além do prêmio, todo esses conhecimentos adquiridos é o que eu levo de mais enriquecedor para o Brasil, e que irá contribuir muito para minha carreira.

Sobre o processo de preparação: quantas horas você estudava por dia? Por quanto tempo você estudou?

O processo de inscrição e preparação para a Olimpíada é muito longo e exige um grande esforço. As inscrições são abertas no inicio do ano e é dividido, basicamente, em 3 etapas: na primeira etapa é necessário preencher um formulário online com inúmeras perguntas, onde deve contar suas experiências, suas conquistas, suas dificuldades, seus aprendizados, falar um pouco da sua história. Após isso, os selecionados para a segunda etapa, devem enviar um currículo internacional, site pessoal ou perfil do Linkedin, e mandar duas cartas de recomendação (no meu caso, foram dois professores da UNIFEI que mandaram minha carta, eu trabalhei em um projeto de pesquisa tecnológica pelo CNPq com esses dois professores). E por fim, após a seleção da segunda etapa, é criado um grupo no Linkedin com todos os selecionados para a última etapa (neste ano foram 40 selecionados do mundo todo), no qual essas 40 pessoas devem formar um grupo de 2 ou 3 pessoas e mandar um projeto, é dado o prazo de 1 mês para todos os grupos enviarem um plano de negócio e um vídeo sobre o projeto. Após todas essas etapas, são selecionados 7 projetos para participar da Olimpíada Internacional de Tecnologia e Inovação em Martigny, na Suíça.

Eu formei um grupo com outro brasileiro que foi selecionado para essa última etapa, o Renato Rodrigues, morador de Pilar do Sul – SP e estudante de Mestrado em Estratégia e Inovação em Engenharia de Produção na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos – Campus Sorocaba). Desenvolvemos um projeto sobre mobilidade urbana, chamado Milênio Bus. Conheci Renato Rodrigues em Dezembro de 2016, em um Hackathon que participei em Campinas – SP. Na ocasião, eu fui campeão deste Hackathon. A partir desse evento, eu percebi um grande potencial em Renato e ele também percebeu o mesmo de mim, e foi então, que resolvemos formar uma equipe para participar de outro Hackathon, onde nasceu o Milênio Bus.

Sobre a Olimpíada: como as provas foram aplicadas? Em quantos dias? Quanto tempo você teve para responder as questões? E foram quantas questões? Sobre quais assuntos eram as questões?

A Olimpíada acontece em 3 semanas no IDIAP Research Instituto, um instituto de referência mundial em Inteligência Cognitiva. Durante as 3 semanas, as 7 equipes responsáveis pelo projeto assistem a aulas de diferentes áreas para implementar em seus projetos, essas aulas foram desde business model a venture capital, com professores altamente qualificados, como doutores e PHDs da área. Assim, durante todo o período da Olimpíada as equipes ficam trabalhando em seus projetos, com o objetivo de constituir uma startup com aplicação potencial no mercado. Após esse período, no último dia da Olimpíada, os grupos apresentam seus projetos para uma banca de avaliadores, com a presença de investidores.

Todas as apresentações duraram cerca de 4 horas, depois dessas apresentações, eles ficaram 1 hora avaliando todos os projetos para decidir os vencedores. Após isso, eles nos chamaram para uma sala, e explicaram como foi a avaliação e colocaram um vídeo animado, como se fosse um suspense mesmo, onde no final do vídeo foi colocado o nome dos 3 projetos vencedores. No momento em que vi o nome do meu projeto no vídeo, começou a passar um filme na minha cabeça de todas as dificuldades que enfrentei para chegar até ali e do quão importante esse título representa para o nosso país. Espero que minha história sirva de inspiração e motivação para todos os jovens do Brasil!

Qual a parte mais difícil da Olimpíada?

Todos os dias da Olimpíada é um grande desafio, os projetos são submetidos a avaliações a todo instante, onde eles nos apresentam dicas e feedbacks para melhorar nossos projetos. Se eu pudesse mensurar o dia mais difícil eu diria que é o último dia, o dia da apresentação final. É o grande dia, porque ali você coloca “em jogo” toda uma dedicação e esforço de 3 semanas ou até mesmo de meses, se levarmos em consideração a primeira etapa da inscrição para a Olimpíada. Portanto, o último dia é instigante, é o “grand finale”, ou você ganha ou você perde, não existe escolhas!

O que significou para você ganhar a Olimpíada?

Eu fiquei muito feliz com a vitória, mas minha satisfação maior foi de poder levar esse título inédito para o Brasil. Vivemos em um país que está passando por um momento tão difícil, cheio de problemas, os brasileiros já estão perdendo suas esperanças, e poder mostrar essa “luz” para eles, de que é possível sim fazer a diferença, e que eles possam ver em mim um motivo para não desistir e continuar lutando, isso para mim não tem preço, é muito maior do que o prêmio de 5 mil francos suíços que recebi da Olimpíada. E acredito que estou conseguindo fazer isso, tenho recebido mensagens de congratulações de pessoas do Brasil inteiro. Superou minhas expectativas, estou muito realizado!

Quais seus planos para o futuro?

Eu sou uma pessoa que sempre tem planos muito ousados e ambiciosos, e isso me ajudou a chegar até aqui. Eu pretendo continuar trabalhando nos meus projetos, de modo a aprimorar meus conhecimentos e levar estes aprendizados para mudar a mentalidade da minha sociedade e do Brasil, levar conhecimento e tecnologia para os brasileiros, de maneira que possamos agregar valor ao nosso país, além de mostrar para as pessoas como a educação pode ser responsável por criar um futuro melhor para todos.

E gostaria de finalizar, deixando uma notícia boa aos brasileiros, estou com planos de desenvolver um projeto bem legal na área de tecnologia, inicialmente pretendo desenvolver em minha cidade natal de Ouro Fino, em Minas Gerais, e depois expandir para o Brasil todo. Acredito que esse meu plano será muito importante para os jovens e para as pessoas do nosso país. Eu me sinto na obrigação de fazer isso e levar um pouco dos meus conhecimentos para as outras pessoas. Provavelmente, no início do ano que vem já estarei implementando esse projeto. Aguardem por novas informações, será uma surpresa muito legal para todos!

 

 

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Brenno Magalhães

20 anos, mineiro, apaixonado por tecnologia, inovação, gestão, gosto de aprender e de ensinar, no momento de descanso um bom livro e boas séries.

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