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Do interior de Coremas à Europa

Como estudante da Universidade Pública, foi fazer doutorado na Europa.

Ser dedicado é um ponto fundamental para alcançar o sucesso em qualquer coisa que fazemos, foi essa dedicação que levou o garoto Fernando nascido e criado na zona rural da cidade de Coremas na Paraíba, fazer uma pós graduação na em outro país. É muito importante sabermos, desde pequenos, que a dedicação é a capacidade de se entregar com amor à realização de uma atividade, de um objetivo. Portanto, cabe a nós tomarmos consciência de que precisamos nos esforçar para progredir em nossa carreira acadêmica, profissional, voluntária, etc. A dedicação foi a alavanca para o crescimento na carreira do engenheiro.

WhatsApp Image 2019 10 23 at 14.13.14 281x300 - Do interior de Coremas à EuropaFoi no município de Coremas do estado da Paraíba localizado na Região Geográfica Imediata de Patos. De acordo com o IBGE, no ano de 2010 sua população era estimada em 15.418 habitantes. Que Fernando, hoje com 30 anos, nasceu e viveu até o final da adolescência. Como morava em um sítio na zona rural, distante do centro da cidade, a primeira base educacional que recebeu foi em um grupo escolar, modalidade de ensino comum na época, em que professoras do próprio local davam aulas às crianças dentro do próprio sítio.

Ao fim do ensino fundamental, ele começou a estudar numa escola estadual já no município, na qual para chegar até lá, ele se descolava todos os dias no ônibus da prefeitura por cerca de 10 quilômetros. Foi nesse momento que ele começou a frequentar mais a cidade de Coremas, a escola estadual em que estudava era bem precária, muitas brechas nas aulas, muita falta de professores, no último ano do ginásio, ele começou a ponderar a possibilidade de estudar numa escolar particular de bairro, mas que daria uma visão mais ampla a ele.

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Fernando, em frente ao Açude Coremas-Mãe d’Água

Essa mudança de escola também influenciou bastante no seu processo de pesquisa, pois os professores falavam mais do processo de vestibular, cursos e coisas do gênero, também com a ajuda da internet que nesse período do ano de 2005 já estava um pouco mais acessível.

“Pessoas formadas hoje já não são uma realidade distante, mas na minha época de vestibular em 2006 era complicado, a internet no Brasil ainda estava engatinhando, logo eu não tinha muita informação sobre outras engenharias, conhecia uma pessoa distante que fazia mecânica e isso despertou um pouco do meu interesse” afirma Fernando.

Na época passar no vestibular era um acontecimento, uma coisa muito distante, por isso eu me dedicava muito, estudava sozinho, todos os dias.

Esforço gera recompensa

Com toda a assiduidade, para conseguir passar no vestibular, Fernando, prestou vestibular para 3 universidades. E foi aprovado nos três em 2006, com 17 anos, duas para o curso de Engenharia Mecânica, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e uma em Estatística na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), sendo essa última em primeiro lugar.

A escolha

A princípio Fernando começou o curso de Estátista pois as aulas começara primeiro, depois ele viu que não conseguiria fazer os dois cursos ao mesmo tempo com excelência, no fim ficou no curso de Engenharia Mecância, na UFCG. Os primeiros períodos, foi cheio do sentimento da novidade, e um pouco do amedrontamento passado pelos veteranos do curso, mas com a rotina de estudo que já tinha, ele percebeu que a coisa ia fluir bem.

A vivência

Fernando, começou a manter mais contato com pessoas mais velhas dentro da universidade, e aumentou a busca por projetos que lhe agregariam de forma geral, durante o seu primeiro ano dentro da universidade desenvolveu uma parceria que resultou em um prêmio nacional. No 2009, atuando pelo Laboratório Multidisciplinar de Materiais e Estruturas Ativas do Centro de Ciências e Tecnologias da UFCG, ele desenvolveu, em parceria com seu amigo Jackson Simões, um trabalho que foi vencedor do 1º Prêmio Ciser de Inovação Tecnológica, uma premiação nacional que incentiva e reconhece talentos na área científica. O curso de inglês desde o início da graduação, ajudou na conquista de Fernando para conseguir o seu primeiro intercâmbio, na Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, ao retornar ele ainda teve a experiência de ser monitor de física, e começou a produzir seu trabalho de conclusão de curso(TCC).

O processo de fazer o mestrado, foi bem gradual, devido a uma greve no final da graduação, ao final deste, o ciências sem fronteiras era uma ótima opção para um possível doutorado. Com isso, ele se motivou a buscar ótimas universidades, para suprir outras coisas, como saudades de casa durante quatro anos, e pelo fato de já ter ido aos Estados Unidos começou a busca por Universidades na Inglaterra. Começou a enviar e-mails para vários professores, e esses começaram a ser respondidos, o que levou ele ao contato da Universidade de Cambrigde.

O programa do Governo Federal “Ciência sem Fronteira”, que incentivava a formação acadêmica no exterior com bolsas para quem havia conseguido a famosa carta de aceite. E essa era exatamente a situação de Fernando. Com um procedimento parecido com aquele que o possibilitou ser aceito em Cambridge, o então mestre em engenharia mecânica conseguiu também toda a documentação necessária para ser beneficiado pelo programa, que lhe deu todas as condições financeiras para estudar na Inglaterra.

O investimento nas oportunidades que apareciam, fez com que o mesmo medo, que ele sentiu quando iniciou a graduação e quando chegou em Cambridge, fosse se esvairando. “Eu coloquei na minha mente, que seria um passo de cada vez, um dia por vez, um problema por vez” diz Fernando. Ele tinha isso como uma forma de não se desperar, fazer um pouco todo dia, lhe ajudou a ter muita coisa no fim. A Universidade também, oferecia bastante apoio, como conselheiros e psicólogos, as campanhas em relação a saúde mental dos universitários lá, é de um modo grandioso.

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No final de 2018, submeteu a sua tese,o que levou um pouco de tempo devido a burocracia, e no dia 27 de abril do mesmo ano aconteceu a sua colação de grau.

Atualmente, como uma forma de retribuir ao país o investimento feito, o doutor Francisco Fernando, mantém uma página no instagram onde, compartilha diversos conteúdos e dicas, além do seu curso sobre como conseguir estudar em Universidades Estrangeiras.

Ao perguntar qual dica ele daria para os universitários, ele diz: “Se dedique muito as disciplinas, elas são sua prioridade, mas também não deixe de participar de projetos, eles farão diferença no currículo. Não deixe jamais de estudar inglês,comece agora, acredite no seu potencial e não dê ouvidos a quem você não conhece tanto, selecione as pessoas que estão ao seu redor, isso fará muito diferença durante o percurso”.

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Afirma ainda que: “Recebi as oportunidades em migalhas e de tudo fiz para aproveitá-las. Não pense no seu concorrente, pense no seu preparo e, sem desespero, gradualmente você, vai conseguir o que quer”.
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Beatriz Santos

Estudante da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, cursando Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade, com a terminalidade voltada para Engenharia de Produção.

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