Engenharia de Produção

Mapeamento de Processos

Mapeamento do Fluxo de Valor - MFV

Não é difícil ouvir pelas empresas o jargão: “temos que eliminar desperdícios!”. Hoje em dia, isso é repetido com frequência em várias empresas de diversos setores. Com poucos recursos e visando a alta lucratividade, dá para entender a necessidade de se eliminar tais desperdícios. Quando se fala em eliminá-los, também se fala em agregar mais valor ao produto final. Isto é, fazer com que fontes de desperdícios, que não estejam diretamente ligadas à fabricação do produto ou prestação do serviço, possam ser reduzidas. Por exemplo: estoques; espera; e movimentação.

Segundo a literatura, todas as atividades realizadas por uma empresa inclui fluxos dos materiais; a transformação dos materiais e o fluxo de informações que faz a ligação dos dois anteriores. Para um melhora entendimento de todo esses fluxos, é disponibilizado diversas ferramentas e métodos de mapeamento de processos. Atualmente, dentro do contexto de redução de desperdícios, é possível encontrar o Mapeamento do Fluxo de Valor (MFV ou Value Stream Mapping VSM) sendo mais utilizado para entender o fluxo de uma operação do início ao fim, desde o recebimento dos insumos à entrega do produto final ao cliente, apresentando visualmente o fluxo de material, informação e ações de uma empresa.

MAPA 300x213 - Mapeamento de Processos
Fonte: http://www.systems2win.com/solutions/value_stream.htm

Esse método de mapeamento difere dos demais nos seguintes aspectos:

  1. Utiliza um maior conjunto de informações;
  2. Alcança níveis mais altos;
  3. Abrange toda a cadeia de suprimento;
  4. Focaliza no aprimoramento de atividades futuras.

O MFV se torna importante para a realização das seguintes atividades:

  1. Entendimento do fluxo de valor de toda a organização e não apenas de processos ou departamentos individuais;
  2. Retrato da verdadeira realidade da organização, com a identificação das etapas que geram valor e aquelas que geram desperdícios;
  3. Visualização dos relacionamentos entre atividades, informações e fluxos de materiais que geram impacto sobre o lead time;
  4. Distinção entre as atividades que agregam e as que não agregam valor ao cliente;
  5. Elaboração para um plano de melhoramento do processo em estudo, visando a otimização do fluxo.

+ Mapa do estado atual

O mapa do estado atual deverá ser elaborado de forma simples de maneira que possa ser compreendido por todos que estão participando diretamente ou indiretamente do processo. Por este motivo, o mesmo deverá ser desenvolvido com o auxílio de vários membros da equipe. Além disso, ele deverá ser desenhado utilizando os itens apresentado na figura abaixo:

Figura 2
Fonte: Krajewski, Ritzman, e Malhotra (2009)

O desenvolvimento do MFV deverá ser iniciado com a identificação dos clientes e de fornecedores, representado pelo ícone “fábrica”, sempre com o clientes à direita e os fornecedores à esquerda, estes ficarão no topo do mapa. Ainda no topo, será importante representar o fluxo de informação dos clientes e fornecedores, que poderá ser manual ou eletrônica (ícone seta).

Logo após, deverão ser desenhado o processo, sempre da esquerda para a direita, com a utilização dos símbolos “processo” e “caixa de dados” que deverá ficar embaixo de cada ícone “processo” para detalhá-lo com informações do tipo: tempo de ciclo (C/T); tempo de preparo (C/O); tempo de uso ou disponibilidade (em percentual); número de operadores necessários; tamanho do lote de produção e índice de refugo.Cada etapa de estocagem, bem como tempo e quantidade de estoque, também deverão ser especificados no desenho. Em seguida, deverá ser inserido no mapa o movimento de entrega dos produtos acabados ao cliente.

Sempre que cada processo gerar um produto e movimentá-lo sem a necessidade da etapa seguinte, empurrando-o e gerando estoque, a transição de uma etapa para outra deverá ser representado por uma seta listrada. Os tempos também deverão ser registrados no mapa através de uma linha do tempo que ficará na parte inferior de todo o desenho, ajudando a distinguir as etapas que agregam e as que não agregam valor. Por último, é sempre importante revisar o mapa para garantir de que ele esteja representando a realidade.

O resultado será semelhante à figura:

MFV 300x243 - Mapeamento de Processos
Fonte: Krajewski, Ritzman, e Malhotra (2009)

+ Mapa do estado futuro

O principal papel do MFV não está em só “desenhar” o atual processo, mas em servir como ponto de partida para melhorias do mesmo. A parte mais complicada está em desenha o MFV ideal para a operação. A partir daí são utilizadas diversas ferramentas de melhoria contínua para que o mesmo seja aplicado à realidade. No mapa da figura acima, é possível perceber que toda a operação leva 16 dias para ser finalizada, mas todo o tempo de processamento (sem os desperdícios) é de apenas 60 segundos. Nesse caso, será preciso elaborar um novo processo onde o estoque após cada etapa do processo possa ser reduzido, ou seja, um mapa do estado futuro.

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Brendley Trindade

MBA em Gestão da Qualidade e Engenharia de Produção; Bacharel em Engenharia de Produção; Green Belt em Liderança Seis Sigma. Coautor do livro: Produtividade em Foco - Engenharia a Serviço da Gestão. Atuante na análise e controle de processos.

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