Dicas e Curiosidades

Meu primeiro processo seletivo após a graduação

Um compartilhamento de experiência

Bem, aqui vai um rápido depoimento que poderá lhe ajudar de alguma forma no futuro…

Feliz da vida, conclui minha graduação em Engenharia de Produção. Infelizmente, em uma situação desfavorável no aspecto econômico e político do país. Momento de um Brasil desacelerado, tentando recuperar uma corrida que parece perdida. Mas enfim, formei!

Sabendo da caminhada difícil e da árdua batalha para conseguir uma carteira assinada como engenheiro, resolvi encarar o mercado de trabalho logo de cara – só para conscientizá-los, estou empregado, mas falarei disso daqui a pouco. Em julho deste ano, me candidatei a uma vaga para Analista de Projetos em uma grande empresa no estado do Maranhão. A vaga não exigia tantos pré-requisitos: Formação em Administração, Arquitetura ou Engenharia de Produção e conhecimento em MS Project; Vivência em gestão de projetos era desejável. Fiquei sabendo depois pela recrutadora que mais de 200 pessoas tinham se candidatado para esta vaga, uma única vaga. O salário era bom, mas não entrarei nesse detalhe.

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http://www.frutal.mg.gov.br/edital-processo-seletivo-0022017/

Após o cadastro no site, recebi o e-mail agendando a 1ª etapa do processo: Testes Psicotécnicos. No dia da aplicação dos testes, havia na sala uns 25 a 30 candidatos. Alguns com um livrinho de Gestão de Projetos da FGV, dando aquela rápida revisada no conteúdo. Mas o teste era psicotécnico, não?! Pois então, era… A recrutadora comunicou que faria logo, naquele momento, duas etapas do processo. No caso, a 2ª etapa, uma prova baseada no PMBOK 5ª ed., seria aplicada logo após os testes psicotécnicos. Uma prova de 20 questões. Não estava tão difícil… pra quem estudou, né!

Consegui me sair mais ou menos. Perguntas básicas sobre o ciclo de vida do projeto, tipos de projeto, EAP, formavam a base da prova. Após a prova, já me sentia eliminado, dizia a mim mesmo: Devia ter estudado! Tinha o PMBOK no meu computador e sabia que deveria revisar os conceitos, já que a cadeira de Gestão de Projetos tinha sido ministrada há alguns anos.

Uma semana se passou e recebi uma ligação já no fim do dia, às 18h. É um retorno negativo – pensei. Para minha alegria, fui convidado para participar da 3ª etapa, Dinâmica de Grupo, que aconteceria na tarde do dia seguinte. Aí foi me preparar psicologicamente. Deu aquele frio na barriga, mas encarei o desafio. O processo era composto por 5 etapas precisamente. Já antecipo que parei na terceira. Mas foi nessa etapa que percebi o que iria encarar pela frente.

A partir de agora, irei retratar de forma resumida (no meu ponto de vista, claro), todos os candidatos que estiveram ali presente, inclusive eu. Não revelarei nomes, tanto de pessoas quanto de instituições. Para identificá-los, irei numerá-los de 1 a 9.

Antes de tudo, preciso dizer que a dinâmica de grupo consistia em fazer uma auto apresentação. Você teria que falar de si mesmo sobre vida pessoal, acadêmica, profissional e alguma experiência relacionada a projeto. Este último não precisava ser ligado a um fato profissional, isto é, podia ser algo da vida pessoal. Nesta etapa, estavam presentes: os avaliadores, recrutadora e o Gerente de Projetos; e 9 candidatos sentados em círculo de frente para os dois avaliadores.

A recrutadora deu as boas-vindas a todos e explicou como funcionaria. Já terminando a explicação, um candidato se adiantou perguntando: “Posso? Posso começar?”.

Então vamos a ele:

Candidato 1:

Um senhor de calça jeans e camisa social, sapato marrom (de couro, eu acho), já na casa dos 30. Formado em administração, com uma grande experiência profissional. Trabalhou no exterior e em empresas multinacionais. Duas delas bem conhecidas dos brasileiros. Falou de projetos que desenvolveu nessas empresas e a admiração que teve por parte da diretoria de ambas. Tinha MBA em gestão de projetos e outras qualificações. Estava fora do mercado.

Seguindo a ordem do círculo, sentido anti-horário, vamos aos próximos candidatos:

Candidato 2:

Uma jovem, aparentemente de 24 anos (não lembro a idade que ela falou), formada em Administração em uma universidade pública federal há quase um ano. Experiência no exterior, passando 11 meses em um intercâmbio. Trabalhou na Empresa Júnior da universidade. Estava iniciando a Pós em Gestão de Projetos. Fora do mercado atualmente.

Candidato 3:

Uma senhora, mãe, já na casa dos 30. Engenheira de Produção. Já atuou em indústrias pelo Brasil, ao contrário dos anteriores, não tinha um inglês tão “afiado”. Há mais de um ano desempregada.

Candidato 4:

Eu! 25 anos. Recém-formado. Bacharel em Engenharia de Produção. Experiência atual como líder no setor administrativo. Começou como Jovem Aprendiz na atual empresa. Há 5 anos vem desenvolvendo projetos de melhoria em processos na atual empresa onde trabalha. Contribuiu para a redução de insatisfação dos clientes da empresa.  Participou recentemente de uma publicação de um livro com outros estudantes.

Candidato 5:

Uma senhora, ultrapassando a casa dos 30. Engenheira Eletricista. Foi Gerente de Projetos em uma multinacional, liderou vários projetos. Deixou o emprego para se dedicar a família. Pós-graduada em Gestão de Projeto. Busca agora retomar sua posição no mercado. Possui muito conhecimento e experiência na área de projetos e suas metodologias. Atualmente, é professora de MBA em Gestão de Projetos e de graduação.

Candidato 6:

Um rapaz jovem, uns 25 anos. Graduado em Administração. Foi líder de projetos da Empresa Júnior, chegando a ser diretor da mesma. Nesse cargo, firmou parceria com grandes empresas e fundações. Sendo contratado por uma delas. Abandonou o emprego para buscar algo mais desafiador. Atualmente, atua como consultor empresarial.

Candidato 7:

Uma moça jovem, uns 25 anos também. Arquiteta. Trabalhou como voluntária para uma ONG. Teve contato com pessoas de outros países, fazia entrevista de estrangeiros que queriam apoiar a ONG. Trabalhou em um projeto juntamente com outros profissionais, sendo que sua equipe foi reconhecida por assim desenvolvê-lo.

Agora faço uma pausa para dizer que a próxima candidata foi a que mais me impressionou… era de uma postura, uma fala, uma maturidade. Realmente, a experiência nos coloca em outro nível.

Candidato 8:

Senhora de 47 anos. Formada em Administração. Foi professora de graduação. MBA Gestão de Projetos. Muita, mas muita experiência com projetos. Consultora de projetos para duas grandes multinacionais aplicando a Metodologia FEL – Front End Loading e outras metodologias. Conhece muito sobre o PMBOK. Atua no mercado de consultoria atualmente.

Candidato 9:

Rapaz jovem, perto dos 30 anos. Formado em Administração. Pós-graduado em Gestão de Projetos. Experiência como analista de projetos em várias empresas. Chegou ao cargo de Gerente de Projetos. Trabalhou coordenando projetos de iniciativa pública e privada  – Não lembro se estava desempregado.

Após esse seletivo, pude perceber uma coisa… o caminho não será fácil. Devido à instabilidade econômica do nosso país, muitos gerentes, coordenadores e supervisores, que sofreram com o desemprego, estão buscando a recolocação no mercado através de cargos menores, como os de analista e de assistente.

Como competir com tamanha experiência e qualificação? Resposta, buscando experiência e qualificação.

Alguns candidatos eram voluntários. Então, se conhece algum amigo, parente, que tenha uma empresa peça para ele abrir as portas. Trabalhe de graça. Se for estudante desempregado, não busque salário nesse momento! Você deve buscar experiência. Inove enquanto estiver na empresa. Construa alguma coisa. Faça algo que você poderá levar para o currículo. Aplique uma metodologia. Crie um fluxo de caixa para o comércio da sua tia; um novo processo para o salão de beleza da sua vizinha; um sistema de armazenamento de estoques para o seu tio do depósito de bebidas. Se for difícil, procure uma ONG na sua cidade que esteja recrutando e busque ajudá-los com seu conhecimento. Lembrando que é sempre bom a aplicação de uma metodologia, pois facilitará o levantamento dos resultados e na futura apresentação dos mesmos em uma entrevista.

O mesmo vale para aqueles que já estão empregados, busque construir algo no seu setor, algo que você possa levar para o seu currículo.

Lembrando que aqui foram 200 candidatos para 1 vaga. O ritmo será esse daqui pra frente. Então vamos à luta.

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Brendley Trindade

MBA em Gestão da Qualidade e Engenharia de Produção; Bacharel em Engenharia de Produção; Green Belt em Liderança Seis Sigma. Coautor do livro: Produtividade em Foco - Engenharia a Serviço da Gestão. Atuante na análise e controle de processos.

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