Mercado de Trabalho

Mulheres na Indústria

Depoimento de uma Engenheira

Sou engenheira por formação e coração há 17 anos. Ainda durante a escolha do curso para o vestibular sabia que queria trabalhar com números, mas nada muito decisivo, afinal com 18 anos ainda não sabemos bem o que queremos. Entrei então para o curso de Engenharia de Materiais na UFCG.

Durante o início da faculdade, o básico de engenharia foi doloroso, como para todo estudante geralmente é. Apesar disso, meu amor pelos números e soluções foi maior e consegui passar em todas as matérias sem reprovações.

Após este período conturbado, as disciplinas da parte profissional já iniciaram um despertar diferente. O conhecimento dos materiais, sua origem e suas aplicações foi fascinante.

Foi então que no final do curso, participei de uma entrevista para uma indústria no ramo metalúrgico, onde atuaria na área de processo e qualidade como estagiária. Não tinha a mínima noção do que me esperava e de como seria esta experiência.

Fui a primeira estagiária mulher na indústria metalúrgica na área do alumínio no início dos anos 2000 no nordeste. Na época não haviam Equipamentos de Proteção Individuais (EPI) femininos e tive que adaptar os masculinos. Até capa de revista fui na época para divulgação, afinal não existiam mulheres usando.

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Esta fábrica tinhas apenas operadores homens, possuía apenas 2 mulheres na área de produção diretamente, uma supervisora que cuidava do almoxarifado (área administrativa) e eu na área de processo.

+ Desafios

Meu orientador e líder imediato no primeiro mês me submeteu a vários desafios no estágio, final de 1999, como:

  • Mostrar a fábrica a gerentes estrangeiros em inglês na primeira semana de estágio, eu nunca havia tido contato com pessoas de fora e meu inglês era apenas das escolas de idiomas que não exigem conversação;
  • Implementar num período de um mês toda a documentação de formação eletrônica para a certificação da ISO 14001, o que durante a universidade não haviam computadores disponíveis para uso dos alunos e utilizar o Office era um desafio;
  • Realizar rondas de qualidade e processo para solucionar os problemas correlacionados, a maior dificuldade foi: como eu iria entender das ferramentas de engenharia de produção se meu curso havia sido engenharia de materiais e não tinha a mínima noção disso.

Foi então que minha força de vontade foi maior e consegui superar as expectativas, sendo contratada nesta empresa após 3 meses de estágio. Atuei durante 12 anos da minha vida profissional em indústrias do ramo metalúrgico, sempre em áreas onde só tinham homens.

Este depoimento foi uma forma de passar um pouco do que vivenciei no início da minha carreira profissional na indústria, onde mulheres na área industrial eram uma exceção. Contudo atualmente isso é uma realidade.

As mulheres cada vez mais atuam na área fabril nos mais diversos ramos, como produção, processo, logística, projetos, design e vários outros. Além de claro ocuparem cada vez mais cargos de liderança.

+ Pontos para desenvolver

Algumas características propiciaram este avanço, como por exemplo:

– Maior capacidade de adaptação e flexibilidade a mudanças;

– Vontade em aprender mais, curiosidade pelo novo;

– Respeito pela experiência dos mais antigos na função;

– Argumentação com fatos e dados;

– Nunca desistir;

– Atenção aos detalhes; e

– Capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo.

Isso tudo, tornou possível o avanço feminino.

Algumas empresas possuem até metas gerenciais para contratações de mulheres para cargos estratégicos; benefícios internos como creches, horários flexíveis, home office; propiciam encontros de áreas semelhantes para troca de experiências e networking.

Desta forma, o mercado passa por mudanças, especialmente no que se refere a Indústria 4.0 e a adaptação a essas novas exigências será uma realidade. As mulheres poderão aumentar seu percentual de atuação e influência no mercado, além de alinhar os melhores resultados e realização pessoal e profissional.

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