Engenharia de Produção

Os 7 desperdícios de Taiichi Ohno aplicado a Gestão Hospitalar

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Taiichi Ohno foi o engenheiro considerado responsável pelo lean manufacturing, o lean tem como maior objetivo eliminar desperdícios de processos produtivos. Desperdícios são atividades que consome energia e recursos sem agregar valor ao cliente. Ou seja, é aquilo que fazemos, mas que o cliente não está disposto a pagar.

O pai do lean descobriu e sistematizou 7 desperdícios que devem ser eliminados de qualquer sistema produtivo (Movimentação, superprodução, espera, transporte, estoque, defeitos, super processamento).

Porque aplicar o lean na saúde?

Para Shigeo Shingo “um processo tem apenas quatro motivos para se modificar; facilitar, melhorar, agilizar e baratear”. Na saúde, principalmente publica, existe um grande gap que são os altos custos operacionais: custos com tecnologia, custos com medicamentos entre outros.

Segundo o site o globo, o portal de transparência revela que, sem contar os outros hospitais, somente as unidades com vínculo direto ao ministério da saúde gastam R$ 25,9 bilhões por ano, se reduzissem pelo menos 10% dos custos economizariam R$ 2,6 bilhões. A saúde poderia reduzir esses gastos simplesmente encontrando os seus desperdícios e eliminando-os.

Os 7 desperdícios na saúde

Super produção: Produzir ou fazer mais ou antes do necessário. Exemplos na saúde são exames repetidos ou realizar exames desnecessários. As causas são previsões incorretas, setups demorados, erros no processo ou simplesmente a cultura de pedir exames em excesso, que são desnecessários para fazer o diagnóstico.

Espera: fila de atendimento e espera para próxima etapa do processo. Na saúde, pacientes e médicos esperando por sala cirúrgica, espera por material, paciente esperando para ser atendido. As causas são sistemas empurrados, trabalho desbalanceado, falta de padronização, de prioridade e de comunicação.

Transporte: movimento desnecessário das partes que não agregam valor. Exemplos são transporte de kits para sala operatória faltando material, transporte de pacientes de um local para o outro. Isso acontece devido à falta de organização e padronização e layout não funcional.

Movimentação: movimentos que não agregam valor de pessoas, materiais e pacientes. Exemplos são a procura por materiais, causadas por área de trabalho desorganizada, itens faltantes e design ruim do ambiente de trabalho. Um bom 5s facilitaria muito aqui!

Estoque: mais materiais, peças ou remédios. Exemplos são compras de grandes lotes de medicamentos que acabam vencendo, luvas e mascaras comprados em excesso. As causas são lead-times dos fornecedores, setups longos, falta de controle do fluxo continuo. Implementar kanban nessas áreas torna os processos mais visuais.

Defeitos: trabalhos que contém erros, retrabalho, enganos ou falta de alguma coisa necessária que pode gerar dano ao paciente. Como erros de medicação, cirurgia realizada em membro errado, material faltando na hora que é solicitado, falta de informações importantes sobre o paciente. As causas são falha do processo, falta de barreira para o erro (criação de poka-yokes) e instruções de trabalho insuficientes.

Super processamento: excesso de etapas desnecessárias, repetições de atividades. Como preenchimento de folhas, checar diversas vezes as mesmas informações, perguntar a mesma coisa várias vezes. As causas são atrasos entre os processos, voz do cliente não compreendida e layout ruim.

Por fim, as oportunidades para o engenheiro de produção dentro do mercado hospitalar estar em alta e conhecimento sobre o lean é um diferencial. Os principais hospitais como o Albert Einstein já utilizam o lean. Também existe muitos estudos acontecendo na saúde pública, o hospital do fundão obteve uma resposta rápida de redução de 43% nos custos em material de consumo, infelizmente a implementação do lean nesse hospital foi interrompida após a mudança de direção.

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Lays Goltzman

Green Belt in Lean Six Sigma, bacharelanda em Engenharia de Produção. Apaixonada por melhoria contínua (Kaizen). "When you believe in yourself, other people will believe in you, too". (Sophia Amoruso)

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