EmpreendedorismoMercado de Trabalho

Por que insistem tanto para que sejamos empreendedores?

Eu realmente preciso ter o meu próprio negócio, como orientam no meu curso?

Fonte: https://exame.abril.com.br/pme/4-dicas-para-quem-quer-empreender-mas-nao-sabe-como-comecar/

Ficamos impressionados com a quantidade de empreendedores que vemos nas capas de jornais, revistas, livros com os vários cases de sucesso. Há aqueles que apresentam ainda empreendedores jovens, o que causa mais espanto, mas apenas comprovam que para empreender não tem idade. Acontece que, muitos de nós engenheiros de produção e aqueles em formação acabam por sentirem mais frustrados do que inspirados com tantas ideias inovadoras. Principalmente com o mercado instável como temos hoje. Aí então surge uma dúvida: todo mundo deve empreender?

As notícias não são animadoras: o Brasil perdeu o grau de investimento, o real está desvalorizado e a instabilidade política afeta ainda mais o contexto econômico. A burocratização nos empreendimentos e a rigidez da política monetária no país são outros fatores que diminuem a rentabilidade das empresas. Uma crise grave existe e as perspectivas de reação estão num futuro um pouco distante. Diante disso, empreender parece ser o modelo mais lógico, certo? Não é por aí.

Digamos que empreender em tempos de crise é uma alternativa viável. Crises ocorrem em períodos cíclicos e não são eternas. Acontece que, em geral, as empresas precisam de alguns anos para trazer resultados positivos e retorno financeiro e, como elas enfrentam períodos de incerteza financeira, a situação do mercado não impacta tanto no período de criação de uma empresa quanto afeta empresas já existentes e consolidadas. Então, porque temos sido pressionados a empreender? A mudança da forma de trabalho, notoriamente, é decorrente das transformações naturais da sociedade, dos hábitos, da cultura, mas podemos dizer que o modelo de trabalho pioneiro para essa metamorfose foi o modelo flexível e criativo das empresas de tecnologia e publicidade. O que até então era apenas um “modelo interessante de trabalho”, passou a ser uma realidade sedutora. Foi necessário a cada empresa oferecer um happy hour além dos benefícios comuns de toda empresa que se preze. E toda essa crise trouxe uma releitura do mundo do trabalho por parte do profissional que foge ao modelo trabalhista no Brasil.

Formaram-se microempreendedores, profissionais autônomos, contratos temporários, consultores, técnicos associados, enfim, uma nova reconfiguração. Com essa evolução do mercado de trabalho atual, agora somente ter um diploma universitário já não é mais suficiente. As exigências são muitas e vão desde um segundo idioma até experiências profissionais internacionais. Graças às novas tecnologias, novas profissões surgiram, mas também diversas ocupações tradicionais foram e estão sendo transformadas, substituídas e até mesmo extintas. Aquele modelo de profissional que planeja a carreira na mesma empresa, no mesmo ramo, criando filhos com o salário certo no final do mês, já está ultrapassado.

Fonte: http://marcelofreelance.com.br/afinal-o-que-preciso-para-empreender-na-internet/

Mas afinal, qual é o de modelo de profissional que as empresas querem com a nova reconfiguração do mercado? O preconceito por parte das empresas em relação aos trabalhadores que ficam muito tempo sem emprego fixo e que justificam que o profissional fora do mercado perde habilidade técnica, tecnológica e de liderança e não se adaptar como quem já está no mercado deve ser superado. O mercado exige candidatos com maior flexibilidade para se adequar às novas funções, dispostos a receber conforme sua produção e que não se intimidem com a possibilidade de terem contratos temporários. Esse será o novo conceito de carreira.

Entenda que sua carreira será o conjunto dessas experiências e que você precisa delas como base das ideias futuras. Respondendo à pergunta inicial: não, não temos que empreender, mas é necessário que façamos o uso do verbo empreender na sua essência. Este novo modelo de trabalho exige um perfil de profissional diferente do que nossos pais e avós eram e talvez por isso nos sentimos tão frustrados quanto ao novo mercado. Temos a cobrança, não o exemplo. Porém, somos nós os percursores desse modelo. E é esse o perfil que o novo mercado pede para nossa carreira.

 

Etiquetas
Veja mais

Vivian Bicalho

Bacharela em Engenharia de Produção. Filha da indústria, apaixonada por inovação e por gente boa, em constante adaptação, como qualquer engenheira que se preza.

Comentários no Facebook

Botão Voltar ao topo
Fechar