Engenharia de Produção

Professor de Engenharia de Produção no comando de uma estação de pesquisa sobre Marte

IMG 2750 300x225 - Professor de Engenharia de Produção no comando de uma estação de pesquisa sobre Marte
Arquivo pessoal Julio Rezende (última pessoa, da esquerda para direita)

Quem viu o programa do Fantástico no último domingo, 12/11/17, pode acompanhar uma reportagem muito interessante sobre o que um professor de Engenharia de Produção da UFRN vem fazendo no deserto de Utah, Estados Unidos. Julio Rezende é o primeiro brasileiro a comandar uma estação de pesquisa sobre Marte, a Mars Desert Research Station (MDRS), e tem como pesquisa apresentar como o conhecimento da administração pode ser importante para a operação e sustentabilidade de uma missão em Marte e ambientes análogos.

Apesar da inúmeras atividades, o professor conseguiu disponibilizar um tempinho para responder nossas perguntas. Confira!

1. Professor Julio Rezende, conte-nos um pouco sobre a sua trajetória.

Na graduação em administração fui presidente da empresa júnior do curso na UFRN. Conclui minha graduação em 1997. A minha monografia foi sobre incubadoras de empresas. Em 1998 entrei no mestrado em administração. A minha dissertação foi sobre Sistema Local de Inovação. Em 2007 conclui a graduação em psicologia e em 2012 entrei no doutorado em administração. O tema da tese foi indicadores de sustentabilidade na indústria de petróleo no Rio Grande do Norte. Em 2015 fiz pós-doutorado nos Estados Unidos, na University of Central Florida – UCF, sobre Tecnologias Disruptivas, incubadoras de empresas e parques tecnológicos. Foi na oportunidade do pós-doutorado que comecei a estudar mais sobre as tecnologias aeroespaciais. Também nos Estados Unidos nos últimos dois anos tive oportunidade de visitar e pesquisar vários sistemas locais de inovação.

2. Como surgiu a ideia de realizar este estudo na Estação Desértica de Pesquisa de Marte?

Em 2016, estudando sobre as tecnologias aeroespaciais, tomei conhecimento da experiência da Mars Desert Research Station (MDRS) no deserto de Utah, nos Estados Unidos. Paralelo a isso coordeno pesquisas no Núcleo de Pesquisa em Engenharia, Ciência e Sustentabilidade do Semiárido (NUPECS), na cidade de Caiçara do Rio do Vento, no Rio Grande do Norte e percebi que poderíamos criar no Brasil, no NUPECS, a primeira estação de pesquisa sobre Marte do hemisfério sul. Essa seria a terceira estação dessa natureza no mundo, existindo uma também em uma das ilhas do Havaí. Em 2016 Participei do encontro internacional da Mars Society, organização que coordena a MDRS e tive oportunidade de escrever um trabalho comparando as duas iniciativas. Todos os anos a Mars Society realiza uma chamada pública para equipes que desejem realizar pesquisas durante duas semanas na estação. Fui selecionado para comandar uma missão composta por 3 estudantes de biologia do Peru e um estudante de geologia dos Estados Unidos. A minha pesquisa é sobre a sustentabilidade em Habitats análogos à Marte.

3. Quais foram as maiores dificuldades encontradas?

A maior dificuldade foi conciliar com o trabalho no Brasil, e os projetos que estou envolvido. A segunda foi a financeira, considerando que todo o investimento foi realizado com recursos próprios.

4. Qual será a importância desta experiência para continuação e o desenvolvimento de novas pesquisas aqui no Brasil?

Espero que a pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos sirva de referência para o funcionamento de Habitats de pesquisa sobre Marte, habitats autossustentáveis e até mesmo possíveis colônias em Marte. Haverá o aprofundamento da pesquisa, com maior detalhamento e a busca por apresentar em congressos especializados internacionais. Possíveis resultados são a publicação de artigos e de um livro.

5. Já possui novos planos em mente?

Publicação de um livro e operacionalização das missões na estação de pesquisa Habitat Marte, no Rio Grande do Norte, ao longo de 2018. Serão várias missões que estudantes e pesquisadores podem se candidatar para participar ao longo de todo o ano. A primeira missão será de 8 a 10 de dezembro com a participação de dois estudantes de geologia e um de astronomia. Meu interesse é divulgar essas chamadas e termos várias pessoas realizando pesquisa. Mais informações podem ser encontradas em www.HabitatMarte.Blogspot.com.

6. Na sua percepção qual é a importância do profissional de Engenharia de Produção nos tempos atuais? E no futuro?

Observo que nos Estados Unidos existe oportunidade para o profissional de Engenharia da Produção na área espacial. Essa é uma área pouco explorada no Brasil, que tem sido dada pouca atenção. O profissional deve desenvolver um perfil que seja competitivo internacionalmente e que ele possa trabalhar em qualquer lugar do mundo. Nesse sentido, mostra-se muito importante aproveitar oportunidades de internacionalização e estágios.

7. Se imagine na época da sua graduação, qual seria a mensagem que você gostaria de ter ouvido de alguém durante um momento de dificuldade?

Gostaria de ter sido estimulado a procurar uma experiência internacional mais cedo, enquanto aluno de graduação. Isso poderia ter gerado uma grande mudança em minha carreira.

 

Confira a reportagem no Fantástico:

http://g1.globo.com/fantastico/edicoes/2017/11/12.html#!v/6283988

 

Fonte: http://www.juliorezende.com/

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Luccas Costa

Formado em Engenharia de Produção, cursando Mestrado em Engenharia de Produção, especialista em Lean Manufacturing e em Solução de Problemas. Movido pela busca de novos conhecimentos e por compartilhar experiências.

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