Engenharia de Produção

Setups rápidos: uma forma de elevar a competitividade e eficiência de uma empresa

Os métodos tradicionais da produção em massa, criados por Henry Ford não são capazes de atenderem as demandas atuais. Os consumidores estão sendo inundados por um volume de informações nunca antes visto. Eles tornaram-se mais exigentes e querem customização, preço, qualidade, confiabilidade e inovação.

As empresas precisam operar dentro dessa lógica: produtos bons, com preços acessíveis e disponíveis quando demandados. Cabe aos gerentes de produção atenderem essa realidade. A grande questão é como fazer isso.

As ferramentas de gestão e operação do chão do fábrica nos ajudam. O Sistema Toyota de Produção inovou ao romper com o paradigma da produção em massa. E foi dele que surgiram os primeiros estudos sobre eliminação de desperdícios e formas de otimizar o tempo de setup (preparação) das máquinas.

As operações de preparação das máquinas são necessárias. As empresas trocam suas matrizes de produção sempre que desejam produzir um novo produto. Além disso, vivemos um contexto de poupança de recursos, onde manter elevados estoques para amortecer tempos de setup é inviável.

As empresas precisam executar a produção do vários produtos de seu portfólio. Isso é uma garantia de sobrevivência. Se não atender a demanda de um determinado cliente, seu concorrente logo atenderá.

Assim, as operações de preparação de máquinas devem ser otimizadas para garantir respostas rápidas as demandas. Shigeo Shingo  revolucionou a Engenharia de Produção pelas suas contribuições no período pós Segunda Guerra Mundial e que ainda geram resultados para as organizações até o dia de hoje.

Os estudos de Shingo o levaram a criar uma abordagem que permite a redução dos tempos de preparação: a Troca Rápida de Ferramentas (TRF) ou mundialmente conhecida Single Minute Exchange of Die (SMED).

A abordagem TRF traz uma série de melhorias que podem ser adotadas nas operações de setup a fim de reduzir sua duração. A proposta inicial é separar o que é considerado setup interno daquilo que é setup externo, ou seja, por interno entende-se tudo que só pode ser feito com a máquina em movimento; externo diz respeito ao que pode ser feito com a máquina em movimento.

As tecnologias nos ajudam a estudar e propor melhorias na avaliação das operações de preparação. O uso de câmeras é de grande ajuda por possibilitar a filmagem do processo, para posterior análise e avaliação.

Engana-se quem pensa que implantar a TRF é simples. Não é. Os processos variam e cada máquina é única e possui suas operações exclusivas. Além disso, é uma ferramenta que envolve várias áreas, como por exemplo a gestão de projetos, pesquisa operacional. gestão de pessoas, engenharia de métodos, dentre outras.

Os benefícios da TRF são vários: por exemplo, resposta mais rápida as demandas, ganho de competitividade, eliminação de processos que não agregam valor, redução de desperdícios, redução de custos e melhor uso da mão de obra alocada ao processo.

Para os engenheiros que atuam no chão de fábrica, vale a pena avaliar se os seus setups estão otimizados. Essa ferramenta permite um grande aprendizado para nós profissionais e também garante bons resultados para nossas empresas.

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Rafael Jahara

Rafael Jahara é engenheiro de produção pelo CEFET/RJ, com período de mobilidade no ISEP - Portugal. Atualmente é mestrando e pesquisador do Programa de Engenharia de Produção da COPPE/UFRJ. Suas linhas de pesquisa envolvem Sistemas Sociais Complexos, Lean Production e melhoria de sistemas.

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