Tecnologia e Inovação

Tudo que você precisa saber sobre ERP

erp.pngO ERP – Enterprise Resource Planning ou Planejamento dos Recursos da Empresa em português -, basicamente, consiste em integrar os diversos setores da empresa que adota esse tipo de software. Porém, veremos ao longo desse post que essa integração é muito mais complexa do que a definição dá a entender.

Primeiramente, é bom começarmos evidenciando a necessidade da existência de um software desse tipo. Por que queremos integrar todos os setores, operações e informações de uma empresa? Em diversas situações, e cenário é favorável porque, com um sistema integrado, conseguimos usar os dados de venda para controlar os dados de estoque, por exemplo. Com esses dados, também, podemos ter acesso a informações do tipo de produto que vendemos mais em determinada época do ano e, com isso, tomar uma série de decisões em relação a estoque e marketing. Podemos, com a entrada de informações sobre impostos e taxas locais, já ter cálculos e relatórios feitos que diminuem consideravelmente toda a burocracia gerada ao se fazer esses processos utilizando métodos mais primitivos. Mas esses são só alguns exemplos dentre centenas de outros de como podemos utilizar esse recurso. Com um sistema integrado, temos acesso a qualquer informação em tempo real o que dá uma visão muito mais realista e clara de como estão indo os diversos setores da empresa e a relação de causa-consequência entre eles.

As empresas que usam esse sistema, reportam em sua maioria que conseguiram reduzir os estoques, a mão de obra e aumentar a produtividade já que um sistema desse porte reduz significativamente o tempo de coleta de informação e de tomada de decisão. Porém, outros benefícios que podem ser vistos com o uso dessa tecnologia são a redução no tempo de ciclo de ordens e de fechamento financeiro, redução nos custos de TI, melhoria em processos de suprimento e na gestão de caixas, aumento dos lucros, melhoria na logística e em processos de manutenção e diminuição do prazo de entrega.

Quem lê o último parágrafo pode ser induzido a pensar que essa tecnologia é solução dos problemas de qualquer empresa e o sonho de consumo de um engenheiro de produção. Porém, embora realmente seja muito útil e transformador, esse tipo de software traz, devido a sua complexidade, uma série de preocupações.

Um número considerável de empresas já tiveram prejuízos milionários por conta do mau uso dessas plataformas. O primeiro problema reportado é quando algum dado não é lido corretamente, seja por input errado – já que o input é manual -, ou por algum problema no código que relaciona erroneamente os setores já que muitas das empresas que oferecem esse software, vende o código programável ao invés do pacote fechado. De qualquer forma, um número errado é capaz de levar uma empresa à falência. Isso acontece porque os módulos do programa são muito dependentes um do outro, ou seja, para atualizar a informação de um setor, o programa puxa os dados inputados de outros setores. Logo, se alguma informação errada é adicionada, toda a cadeia ficará alterada resultando em uma leitura completamente equivocada sobre algum status ou operação.

Outro problema da utilização dessa tecnologia é a própria implementação dela. Para que o ERP seja devidamente utilizado, todas os setores da empresa precisam estar completamente integradas ao software. Isso requer toda uma reengenharia para pensar em como os processos serão a partir da implementação. Não só todos os processos precisam mudar, como os próprios dados precisam estar em formato que seja lido pela plataforma. Muito provavelmente será necessário refazer até métricas para que elas, correlacionadas dentro do programa, faça sentido e leve a alguma tomada de decisão. Como se essas duas medidas já não fossem grandes o suficientes, não podemos esquecer que precisamos treinar os funcionários para que se adequem à mudança, além de termos que arcar com os próprios custos do software e hardware. Por conta de todos esses processos, dependendo da complexidade do software e do tamanho da empresa que o deseja instalar, esse processo pode, facilmente, demorar meses. Nesse caso, além de todo o planejamento que mencionamos antes, é preciso ter muito cuidado para que nenhum setor da empresa perca produtividade ou fique sem funcionar durante esse tempo de transição já que isso implicaria perda de dinheiro.

Como se pode perceber, utilizar esse recurso significa investir muito dinheiro. Como qualquer outro investimento, ele precisa ser justificado por um aumento significativo no lucro e é preciso saber quanto de dinheiro está disponível no caixa para adquirir o software. As empresas mais famosas do mundo que oferecem esse tipo de serviço são a Oracle e a SAP. Porém, a TOTVS (pronuncia-se “Tótus”), empresa brasileira, domina o mercado latino americano e aparece em sexto no ranking mundial. Contudo, essas empresas oferecem um serviço muito completo e robusto, o que encarece o produto e faz com que seja mais conveniente para médias e grandes empresas. Inclusive, um estudo feito por uma consultoria americana comprovou que as empresas, no geral, usam somente por volta de 30% das funcionalidades do software. Isso significa não só uma falta de preparo e de conhecimento por parte de quem usa o programa como dá a entender que uma empresa, ao usar o recurso mais completamente, poderia usufruir de muito mais benefícios.

Houve uma época em que, tentando ganhar o mercado de pequenas empresas, a SAP, Oracle e TOTVS apenas cortaram uma série de funcionalidades de seus programas para deixá-los mais simples e, assim, vender por um preço mais acessível. Mas, como era esperado, essa não foi uma solução muito boa para esse problema. Quem conseguiu realmente atender às necessidades das pequenas empresas foi a eGestor que, com o seu software simples porém não simplório, facilitou o trabalho principalmente burocrático, ao mesmo tempo que possui um preço bastante justo. Hoje, 55% das empresas do Brasil usam algum programa de ERP e as empresas do ramo andam apostando no Brasil como mercado de crescimento garantido e relativamente rápido. 

Espero que esse post tenha explicado de forma simples os principais pontos do ERP. Qualquer dúvida ou caso tenha algo a adicionar, só deixar nos comentários!

Tags
Veja mais

Bruna Hamori

Bruna Hamori, 22 anos, é estudante de engenharia de produção. Trabalhou dois anos e meio na startup de tecnologia e educação Responde Aí, da qual saiu para se dedicar à área ambiental. Morou nos Estados Unidos e na Argentina, onde se dedicou a entender a relação da engenharia com o desenvolvimento social. Criou, recentemente, um blog no qual pretende compartilhar suas tentativas de causar impacto positivo no mundo.

Comentários no Facebook

Close